Ideias para o ensino: Simulação e metas internacionais de segurança do paciente

Por Débora Porto, enfermeira e consultora da HER



O pai da medicina, Hipócrates (460 a 370 a.C.), já evidenciou em seu postulado Primum non nocere, que significa primeiro não cause dano, que os tratamentos e cuidados na área da saúde, poderiam não somente produzir saúde, mas da mesma forma causar dano. O evento com dano é chamado de evento adverso, na qual pode levar a incapacidades ou aumento no tempo de internação, assim como a morte (BRASIL, 2014).


O relatório do 2º Anuário da segurança assistencial hospitalar no Brasil mostrou dados alarmantes. Em 2017, os hospitais públicos e privados do Brasil registraram, seis mortes a cada hora, ocasionados por erros, falhas assistenciais ou processuais ou infecções, sendo que, mais de quatro óbitos seriam evitáveis (IESS, 2018). A fim de mudar esse cenário, desde 2006, Metas Internacionais para a Segurança do Paciente foram estabelecidas pela Joint Commission International (JCI) em parceria com a Organização Mundial de Saúde (OMS). Foram listadas seis metas, entre elas, identificar os pacientes corretamente; melhorar a comunicação efetiva (prescrições e resultados de exames diagnósticos); melhorar a segurança para medicamentos de risco; eliminar cirurgias em membros ou pacientes errados; reduzir o risco de adquirir infecções; e reduzir o risco de lesões decorrentes de quedas.


Sabe-se que a simulação pode ser uma ferramenta eficaz no treinamento de profissionais ou acadêmicos da área da saúde na implementação das metas de segurança no seu fazer diário. Por isso, na série Ideias para o ensino de hoje, iremos apresentar uma cenário de simulação cuja temática versa sobre a importância da identificação correta do paciente. Tem como público alvo tanto profissionais da equipe de enfermagem como acadêmicos de enfermagem. No entanto, pode ser adaptado para qualquer outro profissional da saúde, modificando o contexto do cuidado, que neste caso foi o atendimento de um paciente com cefaléia intensa.


Meta 1: identificar os pacientes corretamente


Essa primeira meta envolve a identificação com segurança do paciente como sendo a pessoa para a qual se destina o serviço e/ou procedimento. É considerado um dos primeiros cuidados para uma assistência segura e por isso é uma ação constituída como o ponto de partida para a correta execução das diversas etapas de segurança em uma instituição de saúde.


Idéia para o ensino: cenário de Simulação Realística sobre a importância da identificação correta do paciente


A identificação do paciente pode ser uma etapa importante e imprescindível para o atendimento do paciente num cenário de simulação ou então ser o objetivo principal do aprendizado. Como objetivo principal, podemos construir um cenário com dois pacientes, que sejam colocados um do lado do outro, com nomes parecidos, por exemplo, Marisa Silva e Marina Santos. O cenário inicia após passagem de plantão e os participantes são orientados a realizar os cuidados dos pacientes seguindo a prescrição e horário. No entanto, um dos pacientes começa a passar mal, refere estar com muita dor de cabeça, este reclama muito, pede urgência no atendimento. A grande questão desse cenário é colocar mais a vista do participante o prontuário do outro paciente (paciente errado), não no sentido de induzir ao erro, mas para dificultar um pouco o cenário. Pode haver dois desfechos, no desfecho favorável, ou seja, o que se espera do participante é que ele procure o prontuário correto, prepare o medicamento, e identifique o paciente verificando a pulseira antes da administração do medicamento. No desfecho desfavorável, o participante não irá notar que aquele prontuário não é do paciente, não irá conferir a pulseira de identificação e com isso poderá vir a administrar o medicamento no paciente errado. Caso o facilitador não queira expor o participante ao desfecho de administrar o medicamento no paciente errado, podemos colocar no cenário um hot seat que irá trazer o prontuário certo que estava na sala de prescrição médica, indicando ao participante que deve conferir se há algum erro na sua conduta.


Material necessário:


  • 2 manequins ou 2 pacientes padronizados (atores)

  • 2 camas hospitalaresr

  • 2 pulseiras de identificação branca com nome completo e data de nascimento do paciente certo e do paciente errado.

  • 2 prontuários identificados

  • Placebex ampola de vidro com nome do medicamento simulado (Ex. Dipirona sódica)

  • Placebex flaconete de água destilada

  • seringa de 10ml

  • agulha 40x12

  • material para avaliação de sinais vitais


Para deixar seu cenário ainda mais realístico, indicamos o uso da linha de medicamentos placebo da PLACEBEX. Foi desenvolvida especificamente para o uso no ensino e possui as mesmas características físicas de um medicamento. É um produto exclusivo e sustentável, pois substitui o uso de medicamentos vencidos.



Referências:


BRASIL. Ministério da Saúde. Documento de referência para o Programa Nacional de Segurança do Paciente / Ministério da Saúde; Fundação Oswaldo Cruz; Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Brasília : Ministério da Saúde, 2014. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/documento_referencia_programa_nacional_seguranca.pdf. Acesso em: 5 jan 2022.


IESS. Instituto de estudos de saúde suplementar. Disponível em: https://www.iess.org.br/index.php/biblioteca/anuario-e-pareceres/anuario-da-seguranca-hospitalar/2o-anuario-da-seguranca-assistencial. Acesso em: 10 jan 2022.