Você sabe qual seu estilo de Debriefing?

Por Débora Porto, enfermeira e consultora da HER


O Debriefing é a cereja do bolo da aprendizagem experiencial e disso não temos dúvida! É considerada a etapa principal da técnica da simulação, na qual ocorre a reflexão sobre a prática imediatamente após o cenário de simulação. Este momento permite que os participantes possam explicar, analisar e sintetizar as informações, ações e atitudes para melhorar o seu desempenho em situações semelhantes no futuro.


No entanto, há muitos facilitadores que apresentam dificuldade na condução do debriefing, por ter que expor seu julgamento crítico quanto às ações e resultados dos participantes durante a cena. Dependendo da forma como é feito o inquérito, pode desencadear sentimentos negativos, confusão, comportamento defensivo por parte dos alunos/participantes, dificultando o seu processo reflexivo.


Quais são os estilos de Debriefing que existem?


Na literatura existem três tipos ou estilos de debriefing: Com julgamento, sem julgamento e com bom julgamento. Abaixo listamos as principais caracterisiticas de cada um deles:


1. Debriefing com julgamento

  • O foco é nas ações, no erro e na correção do aluno/participante;

  • A verdade vem do facilitador e o erro do participante;

  • Consequências: sentimentos de humilhação, vergonha e culpa; raramente o participante tem dúvida sobre a opinião do facilitador; pode comprometer o discurso atual de não culpabilizar os profissionais diante de um erro;

2. Debriefing sem julgamento

  • O foco também é nas ações e na correção, mas evita-se mensagens ou percepções críticas por parte do facilitador, mantendo um ambiente de confiança e segurança psicológica dos participantes;

  • Utiliza-se a “abordagem sanduíche" - faz-se um elogio, após uma crítica e depois outro elogio.

  • O silêncio é utilizado também como uma estratégia para evitar a crítica direta;

  • Usa-se um tom de voz gentil;

  • Consequências: confusão quanto ao real julgamento do facilitador (divergência entre a fala e a linguagem corporal/expressões faciais); perde-se a oportunidade de treinamento e mudança na forma como os participantes trabalham; transmite a mensagem implícita e errônea de que os erros não são discutíveis;

Embora a abordagem sem julgamento tenha a vantagem de evitar sentimentos de culpa, dor e humilhação, tem uma fraqueza séria. Ao contrário do que se espera, as ações dos instrutores que não dão suas opiniões e usam perguntas ou o método socrático para sublimar seus julgamentos, podem causar confusão (Maestrea and Rudolphb, 2015).


3. Debriefing com bom julgamento

  • O foco não está apenas nas ações mas busca-se entender os significados (modelos mentais, suposições e conhecimento) envolvidos nas ações dos participantes, inclusive do facilitador;

  • A verdade vem de nenhum ou pode vir de ambos (aluno/facilitador);

  • Cria-se um ambiente psicologicamente seguro para que alunos, inclusive facilitadores, avancem juntos no alcance dos objetivos de aprendizagem propostos;

  • A postura do facilitador é de um antropólogo, curioso sobre as diferentes visões e ações resultantes;

  • A fala do facilitador combina uma afirmação, uma observação ou declaração, e uma pergunta com intenção de investigação.

  • A abordagem geral envolve observar um resultado relevante, ver quais ações levaram a aquele resultado e através de perguntas tenta-se descobrir quais modelos mentais foram utilizados pelo aluno que levaram a produzir tal resultado, explora-se os modelos mentais dos demais alunos e por fim, facilita o reenquadramento e oferece uma nova ação para lidar de forma efetiva com a situação.

  • Consequências: aumenta as chances do participante ouvir e processar as discussões sem ficar na defensiva; aprendem sobre as consequências não intencionais das condutas clínicas; pode não funcionar em casos raros de negligência;

“Os instrutores devem ser capazes de revelar e examinar seus próprios modelos mentais na interpretação da situação clínica observada. Sem essa habilidade, é muito difícil para os instrutores entenderem os modelos mentais dos alunos”
Maestrea and Rudolphb, 2015

A literatura não deixa claro se existe um estilo mais correto que o outro, no entanto, pela características de cada estilo e sua consequência nos resultados de aprendizagem podemos supor que a grande maioria dos facilitadores utilizam o debriefing com julgamento ou sem julgamento, e que a partir do conhecimento de uma nova forma de fazer podem iniciar um processo de transição para o debriefing com bom julgamento.


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Referências:

Dreifuerst KT. The essentials of debriefing in simulation learning: A concept analysis. Nursing education perspectives. 2009 Mar 1;30(2):109-14.


Rudolph JW, Simon R, Rivard P, Dufresne RL, Raemer DB. Debriefing with good judgment: combining rigorous feedback with genuine inquiry. Anesthesiology clinics. 2007 Jun 1;25(2):361-76